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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Angeline

 





O coração apertado e desconfortável rejeita o peito, ensaia um voo livre direto da janela do apartamento como quem encontra a independência após tantos anos como escravo da própria rigidez .

O adeus é o projetil covardemente disparado na epiderme cicatrizada do tempo, perfura com calor e força outra súplica de amor, atravessa furiosa a eternidade da alma como o mar em dia de fúria encontra as pedras da orla.

Trabalhamos nossos sonhos todos os dias e hoje realizamos o nosso pior pesadelo com os olhos profundos e secos de angústia e medo, incertos se o despertador vai acordar para a luz de outra realidade, esperando que nossa alma insurja os passos ensaiados das tarefas do dia como um ator executando o seu papel no palco.


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O Dia que Será pra Sempre



 


O silêncio é o seu torpor, vem transportar a sua realidade para um espaço onde nossos sonhos caminham sob a orla da praia, confunde você com um sorriso proibido de felicidade coberto por um véu de culpa.

Você dormiu e não me disse a verdade, em repousou seu corpo encontra minha alma como uma canção sobre o paraíso.

Seu coração quebra a barreira do som, soa como uma súplica por honestidade diante de um mundo cruel, ele acolhe com gentileza as vibrações do meu nome quando entoadas por sua voz.

Esquece as palavras corretas e chega para viver onde o tempo não é a medida, escolhe o lugar onde o seu coração é primavera por uma eternidade e não existe pecado ao olhar as estrelas.


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Key

 





As correntes de sua gratidão gera um som incomodo que não lhe permite dormir. os seus sonhos toram-se cortinas de fumaça, maquiando sutilmente a realidade, sufocando o grito histérico de liberdade que você nunca anotou em sua agenda.

Quanto custa amputar as partes belas de seus sonhos para encaixar na mediocridade de uma realidade vegetativa?

Quando dançar tornou- se um evento condicional? o plano sempre foi encontrar a paz quando o seu dia era apenas sobre você e seus desenhos singulares em nuvens no céu.

A insonia um dia foi poesia, diferente do silêncio em seu quarto escuro, era mais importante que o despertador anunciando o que você não deseja viver.

O paraíso não deve soar como a moon light sonata

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O Tempo da Alma






Seu coração se aproxima como um moinho e cacos de vidro, girando as emoções e fragmentando frases que lhe convém ouvir.

Irei subir suas escadas sem qualquer vaidade e rasgar a voz em um blues com seu nome, derreter o seu sorriso fácil e gelado em uma única tentativa.

Suas desculpas para não reagir estão despejadas no tapete de sua porta, reencontre suas promessas registradas em papel e seladas em envelope pardo enquanto seu café esfria na caneca.

Explique seu universo e essa ausência de estrelas, diga algo sobre seu sonho realizado e insuficiente, confronte seu rosto diluído com tempo e dor.

Ouça a canção composta ao piano que lhe faz primavera antes que amanheça, pois o tempo de sua alma é diferente de seu coração.


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Heaven






O tempo estende- se como um tapete vermelho diante de nós, revelando todo o registro de um coração rígido e selvagem que um dia foi bom.

Houve dias em que voar era o mais próximo de uma plena liberdade, sob o céu não havia culpa e sempre buscamos esse abraço de fé enquanto atravessávamos o país.

Com o tempo fiquei mudo, os olhos conversavam com o mar por horas, um bom amigo quando a alma viveu uma Era Glacial.

quinta-feira, 14 de março de 2019

In Joy And Sorrow






Meus dedos tem o registro do seu rosto, reconheceria sua pele após uma eternidade sem toca- la, essa é a diferença entre nós.

Ama encarar o horizonte, encontrar a divisão entre o céu e o mar, sempre procurando no cálculo de grandes distâncias a medida da sua saudade.

A vida continua, mesmo que eu não esqueça o jeito que segurava sua mão ou a solidão no topo de uma duna de areia, distante de você e tão próximo de Deus.

Volta ao inicio, eu estava lá tentando responder as mesmas perguntas sobre nós desde cedo,  vivendo uma infância e construindo algo profundo e despretensioso, mas estava feliz o tempo inteiro.

É pecado pensar que posso te encontrar e chorar por isso?  Não estou contando tempo, marcando datas ou suplicando por algum milagre, porém acredito que seria incrível e muito maior que eu tudo isso para suportar só.

É difícil quando encontro alguém com cachos iguais aos seus pela rua ou escutar uma voz com o timbre tão próximo, mas vai ficar tudo bem, sou apenas um lobo que sabe fazer orações.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

I Got a Feeling that I'm not Gonna be Here for Next Year






Olhe para nós... Estamos sonhando por outro objetivo egoísta, protegidos do sol sob a sombra de uma árvore.

Passivo ao movimento que as sombras de galhos executam quando o vento vem ao nosso encontro, não existe mácula alguma em amar algo assim.

Planejamos acorda ao amanhecer, porém não conseguimos dormir, logo tudo aparentou ser uma grande desculpa, algo que sustenta um mundo que nos rejeitou enquanto transitamos entre olhares apaixonados e uma ideia absurda qualquer.

Você compreende, é importante despertar em sua própria solidão e não sentir alguma dor. Sempre a parte, jamais o par de nós.

A noite é coerente caso aprenda a usar o silêncio esmagador como objeto de meditação para a alma. O dia faz algum sentido caso todas as cores seja uma unidade com seus olhos e esta singularidade lhe faça sorrir.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Assim Que Você Acordar






Alguma lembrança triste rende o coração em meio ao vagão lotado de pessoas, minha vida passou mil vezes por essa estação, então recordo- me que a sua alguma vezes também sonhou nesta cidade.

Desejei mostrar um jardim escondido que por acaso encontrou- me enquanto estava perdido.

O litoral agora causa-me algum enjoo, não sei lidar com a paz constante que ele representa, um dia desses notei que paz não é um ponto de bem estar em particular.

Hoje sei o que é bom e justo e onde busca- lo, encontro o equilíbrio e um pouco de atenção quando encosto o carro próximo de uma praça e fico horas olhando o movimento das pessoas na rua, elas também guardam algo triste como eu.

Uso todos os músculos do rosto para segurar a vontade estúpida de chorar ao ouvir a música que escolhi para apresentar o meu jovem e imaturo amor, era o meu melhor... E quando escuto o violão executando as notas,  recordo os seus olhos ainda mais castanhos com a luz do sol que abençoava aquela tarde.

Necessitei de todas as coisas, nenhuma fez sentido algum no fim. Havia alguma profundidade, mas um bom coração não foi o suficiente para substituir a ausência de alguma experiência de vida.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Backstage





Criamos os nossos inimigos e toda a atmosfera de vida ou morte, encurralados nos próprios extremos, explodindo em emoções fragmentadas de nossa própria loucura.

Eu nunca estive na lista, não era parte do jogo, eu possuí  um papel que nunca desejei e ele nada foi para você, ele nunca passou a porta de sua casa.

Fui o teu segredo, o absurdo que escondemos no fundo do peito, o que não viu a luz no fim do túnel,foi guardado no bolso do casaco de couro e por lá ficou por dias.

Contaria a sua história e seus segredos sórdidos,  lhe arrancaria o mérito que ajudei a construir e entregaria aos lobos a sua sorte.

Trabalhei no mais profundo de seu coração e ao fim era parte de uma margem onde habitavam os ratos e suas tensões. Ao homem menos otimista não coube tal resultado como digno.

A noite acabou, não morri, ainda tenho bons cigarros no bolso e um passado que não posso mudar.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Better off







Calmo e inerente aos acontecimentos recentes, não refletindo a ansiedade com que piso sobre o acelerador.

O mundo passa singular como um retrato desconhecido sob a moldura de aço, disputando atenção com meus pensamentos em uma sutil súplica por alguma direção.

Encontro abrigo na solidão de alguém que aguarda sua condução, reconheço a sua busca por proteção nos minutos que antecede o fim de uma madrugada.

Conte a sua história, meu coração rejeita naturalmente os vultos sem identidade e os julga com eficácia e autonomia dignas de um sujeito embriagado

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Hellboy






Ouça atentamente, ainda sou perigoso, os tempos são outros, mas a noite continua fria como antes.

Dúzias de palavras inconsequentes traduzidas em promessas envolvem seu coração, no entanto a velocidade com que passamos o sinal vermelho não ofereceu o espaço necessário para confrontar- nos.

Agora possuo segredos horríveis. Fecho as cortinas e desisto de você por horas até dormir.

Não durmo bem, não amo bem, não estou torcendo por você.

Passei por outras despedidas, queimando minha alma e confuso com as luzes vermelhas do clube, eu lhe disse adeus trancado em um banheiro sujo com uma estranha rendida aos meus desejos.

Com um bom drinque em mãos e uma tristeza que desde a tenra idade persegue- me, escuto a dor de um rosto sem nome antes que venho a desmaiar em um colchão no meio de uma sala.

Avise- me quando pousar e colidir com a sua decisão, essa será o meu limite, adiante é com você.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Saudade é o Amor de Quem Fica





Esperei este dia para falar, sujar as mãos de terra e sentir saudades.

As nuvens estão vivas no céu, leves o bastante para correr como um véu que o vento leva sem uma direção definida.

Desejo gritar que nada amo, todavia não explico o rosto molhado para o meu coração selvagem e imaturo.

Que sono é esse que não posso acordar?

Rasgamos o silencio ao meio com profundos suspiros em uma casa que não me pertence. Quando sem energia fui rendido novamente ao silencio, suplicando a atenção imediata.

As roupas estão sujas e o corpo exausto, porém continuo voraz contra o vento sem possuir o motivo que justifica desproporcional atitude.


Agradecido por um dia de sol para sentir saudade, recusando-me ao aguardo de um período de chuva que remeta ao estado de reflexão. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Música Para Lobos







A chuva redesenha e modela a areia segundo sua vontade, o dia cinza presenteia a cidade de sol e não entrega sinais de partir.

Os sentidos agora podem matar e as escadas para o paraíso foram recolhidas, as palavras sem filtro são lançadas aos miseráveis ouvidos do mundo sem qualquer sofisticação.

Despertar outra manhã e confrontar a contagem progressiva para morrer, transcender as infinitas dores espalhadas por todo o corpo, revezando em um ritual a tortura orquestrada por um inimigo imaginário.

Baby, você quebrou meu coração e não tenho a coragem de assumir, mesmo desorientado como um menino, certamente lhe odeio profundamente por isso. Está em hora vomitar o meu terror após religiosa bondade e compreensão por tanto tempo enquanto o peito explode nas próximas horas.

Coloque seus óculos escuros e assista estas chamas consumir toda a cidade, aprecie o último drink antes que o gelo derreta no calor e não diga o meu nome quando a luz apagar.


sábado, 24 de junho de 2017

Bach- Cello Suite No. 5 Prelude






Escadas longas e estreitas, paredes escuras como a noite e uma luz vermelha que incomoda aos olhos. Um sorriso próximo convida- me para o caos.

Não paguei as entradas, a bebida manteve a mão direita ocupada o tempo todo enquanto as luzes coloridas ofuscava a visão entorpecida, uma dimensão paralela e frenética contagia o corpo cansado de um dia cheio, convencendo a prosseguir.

Gente estranha cruzando em uma vida oposta  e singular, sorrisos vazios, nublados como a noite que corria próxima do fim.

Ouro branco, cigarros baratos e um dólar, o poema genérico reescreve o poeta, alguém que acordou, mas perdeu a hora e ninguém notou ao fim. O próprio pecado travestido de homem, corrompido por uma lama que impregnou os olhos e o cegou.

Cheio de vaidades, a própria liberdade em escolher o caminho de fato o limitou, e agora em um lugar sozinho alguém repousa ao lado distante e anestesiada, confiou- me a própria segurança como quem descobre um fio de fé sobre o mais perverso coração.

Irei a acordar e sair pela porta da frente, esquecer o que aconteceu aqui, pois não lancei promessas e o tempo apressa o passo de quem não coube permanecer em lugar algum.

O dia inicia seu compasso e algum tempo depois já não recordo- me a noite ou os rostos, sorria e seguia o instinto, certo que a melhor opção era continuar assim.








sábado, 17 de junho de 2017

Hollow 27




Entre as paredes do corredor, deparo- me com uma pintura, a reprodução singela de uma tarde que não reconheci.  Entre tantas loucuras, a mais cruel não percebi.

Por essas ruas ouvimos promessas, pouca chuva e alguma dor, descartadas como lixo, por esses dias alguém levou.

Outra esquina aparentemente familiar, denunciando a rotina que escondi para ninguém notar.

Entre a paisagem e um pouco de coragem, algo novo desejou surgir, mas não terminei meu drink, fica para outra hora redescobrir.

Sob um olhar mortal e sério, eu espero tal conflito real, lados opostos em uma guerra, exaustos e rezando para o mesmo Deus.




domingo, 2 de abril de 2017

O Amor e a Roda Gigante






Qual seria o perigo? Seus olhos não me abandonaram o dia inteiro e estar em seu quarto é em parte confiança, não foi nada sobre certo ou errado, a primavera passou rápido e escondemos o nosso tempo para nós.

Por uma questão legal ela deveria partir, a vida não era apenas sobre nós, por mais que rejeitássemos a realidade, o confronto em algum momento não seria leal ao fim.

A ausência em palavras não é semelhante ao peso de vive- La, o trem continua guiando seus passageiros ao destino, sinto fome, peço um drink e entre o meio tempo de cada tarefa ela aparece em algum lugar em meu dia. Ao início ainda encontro o seu perfume entre um objeto da casa, escondido em uma roupa e quando descoberto leva- me ao encontro diante de nossos desencontros.

O reencontro inicialmente era questão de tempo, mas o tempo entre ele foi imprevisível.  Lidar com a distancia é uma crueldade sem fim, são duas forças opostas conflitando dia após dia até que uma reina sobre a realidade e esse foi o nosso lento e tortuoso fim.

Era uma noite comum, saia do trabalho e distraia- me em um Pub próximo de casa, mas algo mudou minha rotinha, foi como um click em um espaço de um pensamento aleatório, como uma fúria veio todo o sentimento por ela sem meu consentimento e morrendo de uma saudade avassaladora  entrei em contato.

Depois de muito tempo, lá estávamos nós, cumprindo as nossas vontades, matando cada desejo apertado em seu coração, suprindo os medos e angustias calados por uma distancia irreal e profunda que herdamos da vida, prontos ao recomeço de sonhos e planos. Tudo parecia bem, o relógio de nossas vidas voltou a funcionar, porém algo interrompeu a alegria em igual proporção. Aconteceu algo enquanto estava longe?

Algo morreu no quarto, os dias seguintes não contaram com a minha presença, o amor estava ali domado por um decepção talvez injustificada, foi incontrolável, não foi possível disfarçar e retornamos para nossas rotinas e vidas diferentes em um acordo de paz.

Seguimos em frente, alguns anos se passaram e outra história iniciou em seu lugar, era o correto e ninguém questionou, tudo caminhava bem e entreva nos eixos como resultado de nossas escolhas, porém uma ligação inesperada calou- me por horas, era ela colocando tudo que eu senti no passado como um flash, convencendo- me que algo muito maior ainda viria ao nosso encontro, estávamos ligados ao laço do destino e compreendemos que não era possível nega- lo. O que vivemos em curtos espaços de tempo realmente foi incomum e surpreendente e desde o fim nada foi semelhante, foi tudo que alguém poderia desejar de fato viver.

Por uma segunda vez, abandonei tudo onde vivia para reencontra- la e de fato viver o que decidimos ser o nosso futuro, construir o maior e os melhores anos de nossas vidas, estava na mesa e era a hora de vive- los como nunca, e esse sim foi o maior erro de todos...

O caminho até ela inundou os pensamentos, por cada quilometro percorrido aguardei viver o sentimento antes indescritível, desenhei sonhos em papel e determinei todos os passos para os próximos 50 anos de vida. Caminhei até a saída do aeroporto, preparado para recebe- la em meus braços e morar em seu coração onde jamais deveria antes fugir, porém minha surpresa foi assustadora.


São os mesmo olhos, a mesma boca inquestionável, sim, era ela de fato, mas quem eu estava esperando? Um véu constrangedor abraçava- nos neste instante, a reação de ambos foi parar e tomar um café em busca de segurança e assim iniciamos um diálogo frio e questionador. O tempo passa e a vida molda individualmente cada pessoa, o que vivemos foi lindo e qualquer outro homem cometeria esse mesmo erro para vive- lo novamente, todavia não contamos que o mesmo tempo que guardou nossa história seria o carrasco de uma realidade diferente a qual idealizamos. Em algum lugar do tempo ainda estamos juntos, entretanto hoje somos estranhos com uma história para contar, o tempo mudou ambos, os planos e sonhos esquecemos em algum lugar, o pensamento diverge e compreendemos sim, somos nós, contudo não é onde desejamos estar.

segunda-feira, 20 de março de 2017

The Heartless




A sombra antes curvada em reverência, hoje aponta a lança em sua direção.
Os ídolos queimam no quintal em uma fogueira improvisada, sob o chão de concreto vê sua ultima luz.

O dia está escuro, por vezes parei de respirar, a lança agora junta- se ao peito, encara o centro do alvo como sua ambição letal.

Ao longe existe uma continuidade, o som dos carros transitando sobre o asfalto orienta os ouvidos, o vento encontra as cortinas da sala oferecendo vida e movimenta as rosas estampadas sobre o tecido, um cão late indiscriminadamente alertando o perigo irreal.


Permita explicar a ausência de amor, rabiscar promessas em madeira e protagonizar o desprezível culto,  entre o altar e a amante toda a insanidade em um pacto decadente e superficial ao ponto de não podemos distinguir o que queima ao fim.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Blessed





Rodrigo inicia os preparativos necessários ao seu barco, cumprimentado o mar e reverenciando a poesia em azul que o mesmo projeta em sua superfície, agradecendo ao sol que pontualmente desfigura o breu e os perigos escondidos em trevas cuja a luz artificial é incapaz de revelar.

Reconhece a saudade em passos solitários de alguém que segue caminhando sobre a areia da praia, desconstruindo a obrar do mar com seus passos livres.

O coração legitima  as histórias que seus lábios retratam com riqueza de detalhes,  reflete o homem que conheceu o mundo de Reis e não pereceu diante destes.

Rodrigo reconhece a vaidade em seu peito, profundo como o mar que navega, rejeita as armadilhas de uma solidão desonesta que propõe o despertar de outra saudade.

Em condição frágil e rodeado de perigos, Rodrigo descansa sobre o manto de seu protetor pois compreende o amor em todas as suas formas, ocasionando o efeito que transcende  os ponteiros do relógio, ligando espiritualmente a criatura ao seu criador.


O vento alerta as mudanças do tempo, encontra as águas e dita a trajetória segundo sua vontade. Rodrigo encontra o seu limite e finaliza os seus trabalhos oferecendo gratidão ao seu sucesso. 

Retorna ao lar com uma nova experiência, semelhante ao mar, pois é certo que amanhã será o mesmo oceano esperando o pescador, todavia nunca as mesmas águas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Diário de Bordo





As orações encontram o coração, ganhando o dia quente e os ouvidos de Deus, iniciando a breve harmonia sobre outro coração perverso.

O radio do carro toca uma canção sobre saudade, cria sua atmosfera corrompendo os ouvidos com sentimentos que não habitam a alma, sentimentos que outrora não couberam na bagagem e ficaram para trás, provocando o efeito onde o pintor em seu vasto catálogo de inspirações, por ocasião nada o remete a pintar.

Em uma estrada já distante de qualquer segurança, logo vem outro coração partido em um sentido oposto, tratando o amor com religioso desprezo, desafiando a aderência do asfalto, cruzando o mundo como o culpado foge evitando a sua pena.

A tempestade vem adiante acuar a brincadeira das crianças em uma cidade onde repousarei, nuvens negras intimida e cerca a região,  causa o espanto entre os habitantes que indagam tamanha fúria da natureza. O panorama apocalíptico entrega a plena sensação de reproduzir em estado físico o que a alma esconde em sua mais profunda existência e incontrolavelmente faz- me sorrir diante de sua espantosa arte.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Terceiro Céu


Seu rosto, próximo e iluminado como um milagre, contemplado por uma noite de lua, contra os efeitos do tempo.

Seus olhos procurando estrelas com os seus desejos em voltar para casa, desimpedidos ao demonstrar amor, breves como o vento que chega e parte para outro lugar.

Seu corpo proclama seu espaço, possuindo uma única cor, semelhante ao mais belo céu que encontrei em outro ano. Singular em suas medidas, desconstruindo os pensamentos em gestos bruscos e uniformes como quem dança o som da liberdade outra vez.

Os lençóis registram  suas curvas, rouba minúsculas partes marcando o tecido desgastado, Friccionando a pele  entre as linhas, absorvendo a coreografia de suas loucuras tal como o figurino compõe a ideia de um personagem, rasgando o véu do tempo em  ritmos histéricos e constantes.


Surge ao cair da noite e parte antes dos raios de sol, sem culpa ou saudade e retorna em outra lua com alguma nova dor, volta por amor e um pouco de vaidade.